domingo, 15 de junho de 2014

Dos Favoritos

Baile eremítico

Ficamos dançando, eu e você. De um lado pro outro; para o bem e para o mal.
Flertam umas com as outras as nossas palavras, nossos textos, na sincronia exata como os guatemalenses em um ritual esperando pelo sangue jorrar.
Dançam os nossos dedos nas costas nuas,ah, só em sonho, só em sonho.  E nossos sonhos dançavam a nossa esperança. E dançam um foxtrot as dúvidas aflitas, tantas visões ardidas.
Mas toca no salão a balada do amor inabálavel, embalando o jogo entre nossos desejos e deletérios; dois lobos se estranhando na clareira circular. Faz-se valer essa ordem torta de ataque-e-defesa, vai ou não vai, chove e deixa escorrer nas janelas dos olhos. Ficamos assim nós, sem saber cada um o quê, nesse baile eremítico dos nossos brios perdidos nos embaraços e labirintos do desejo. Que arde, e eu sei.

N.

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