Uma vez escrevi um texto sobre laços e conexões afetivas, refletindo
bastante sobre isso e ainda mais, tentando passar para as pessoas a minha
simples opinião. Mas o que vem realmente ao caso, ou quem sabe acaso, é que as
vezes, mediante a algumas situações muito peculiares, daquelas que fazem você
dar uma pane mental, física e psicológica muito intensa, procuro agora
compreender de uma forma que me falta palavras para explicar, essas conexões no
qual estamos a todo momento construindo. Construindo muitas vezes, como se usássemos
tijolos invisíveis, podendo não enxergar a existência delas, mas sim, senti-las.
Hoje comecei a ver alguns tijolos, vi suas cores, seus odores, suas
formas, e acho que compreendi melhor de como nossas conexões podem ser
estabelecidas de uma forma que nunca pensei antes, que nunca entendi antes, que
nunca enxerguei antes.
Será possível em pouquíssimos dias, estabelecer conexões antes
invisíveis aos nossos "olhos", de uma maneira tão rápida? Será loucura
de nossos ingênuos corações? Será que é nada mais que um descontrole/desequilíbrio
das emoções? Confesso não saber muitas das respostas que pretendia ter, mas
depois de hoje, levo um motivo a mais, um incentivo a mais, de crer que
conexões podem ser estabelecidas muito rapidamente, cabendo só a nós, querer enxergá-las
ou mante-las invisíveis.
Vou ao seu encontro através de rápidos olhares, escondidinho, sem saber
que perceba e logo após vou ao seu desencontro. Alguns longos minutos se passam,
quem sabe 40 ou 60 minutos, volto para aquela massa de pessoas, de sotaques
engraçados, em companhia dos amigos, quando derrepente, vou novamente de
encontro com sua imagem, ainda mais assustado que a primeira vez, sem saber se
ficava ali quietinho, ou se dizia um "oi" qualquer. Ainda abismado,
observo sua locomoção e marco um ponto fixo de onde a tão prazerosa pequetita
se encontrava. Não por querer vigiá-la, por querer saber se outras bocas
poderiam já ter ido ao seu encontro, mas sim por ficar tão impressionado de ir
ao seu encontro novamente.
Dou alguns passos, e ainda em duvida e bem acanhado, vou ao seu encontro
em corpo e alma, derrepente, um susto! Suas feições não negavam aquele ar de
preocupação, como se ela falasse sem usar os lábios, “Putz! Você por aqui? Como
assim você ta aqui?” e depois de uma breve prosa, percebo uma indecisão, alguns
beijos negados cá, outros lá, e mesmo assim o desespero não me invade, como da
primeira vez que a beijei invadiu.
Ela fala sobre seu novo corte de cabelo, que claro, eu mesmo nas minhas
qualidades jornalísticas de observação, passo batido, como sempre passei em
casa com minha queridíssima mãe. E por mais que eu havia enxergado um ar de
descontentamento por passar batido, achei aquilo de uma fofura sem igual, logo
me explico que os cabelos sempre foram meus inimigos no campo da observação.
Era inegável, que ela também tinha sentido, quem sabe compreendido
também, um pouco mais de como conexões podem ser estabelecidas entre pessoas, e
muitas vezes, como elas estão condicionadas a se encontrar sem mesmo saber
disso, e digo a vocês, que depois de hoje, isso vem martelando na minha cabeça
desde o primeiro encontro com sua imagem, naquele ambiente de desordem, até
esse exato momento.
As preocupações e indecisões se dissipam, ela deita em meu ombro, um
silêncio breve e complacente invade o ambiente e logo nossos olhares já se
conectavam, entrelaçavam, automaticamente nos beijamos e o que fica é a vontade
de saber qual será o novo dia de amanhã.
13/06/2014
Só queria pensar que o amanha ainda pode ser o dia de amanha, e não ontem...

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