Ao vê-la ali tão de perto, tão próxima da minha realidade, a minha única vontade era de tocá-la no rosto, deixar uma suave melodia soar e apenas dizer aquilo tudo que eu já não tenho mais controle liberando toda essa dor que o tempo tomou conta de intensificar. E assim que estou prestes a me abrir acabo lembrando dos riscos de forma tão negativa, que o medo me abrange, me bloqueia. E se tudo der errado? E se os laços que construímos desabarem?
Enquanto o “se” fazer parte dos meus pensamentos, eu sei que esse medo só aumentará, adiando cada vez mais o que tenho pra dizer e então, depois de alguns arrependimentos que me mataram por dentro, me fazendo sentir um tolo, um nada, percebo que não há outra forma a não ser deixar tudo fluir.
De fato, hoje sei que dependo das nossas longas conversas e não sei como seria viver sem elas, afinal, na maioria das vezes é nelas que eu busco os meus maiores refúgios. É como se tudo sumisse e todo o ar negativo dentro de mim se dissipasse e o que mais importa está ali, alguns palmos na minha frente, em uma mesa de bar qualquer me acolhendo, escutando meus desabafos, minhas diversas experiências. Contando dos casos aos acasos.
Como a dor aumenta só de pensar que apenas posso sonhar. Imaginar por breves instantes situações tão adversas com a realidade, lutando para que elas possam ter ao menos, um fio de verdade e não ser só mais uma abstrata ilusão.