Com muito custo e doses temporais fluentes, o desapego que se julgava contra o equilíbrio me ganhava, me convencia a adaptar-me a ele como se fosse à solução principal. Depois de muita luta e uma intensa resistência, perdi as forças, desliguei meu mundo, criei meu chão e aos poucos comecei a dar os primeiros passos.
O abismo não parecia tão alto quanto antes. A dor da queda não me intimidava mais. Desfiz os caminhos, destruí as pontes e logo entrei na contramão, me desligando quase por completo. Me restou apenas um sentimento chulo. Frio. Melancólico...
Por mais que eu tente sair, mais eu quero entrar, e logo volto a trilhar os velhos caminhos permitindo o desequilíbrio das emoções, me abrindo para as mais confortáveis sensações. E a partir de hoje, eu enxergo que o equilíbrio não é mais o que eu quero. Que mesmo sendo mais fácil alcançá-lo agora, quero é mais desequilibrar e pouco me importa se o tamanho do abismo aumentar, se a dor me torturar. Quero meu mundo de volta, e não o quero sozinho...
