segunda-feira, 21 de julho de 2014

Amanhecendo


Acordo cedinho em uma manhã fria e já me coloco pronto para meu café da manhã. Nas opções um belo café. Encorpado, cheiroso, bonito em seus tons amarronzados, muito saboroso de se beber. Do outro lado, um bom leite quente. Daqueles para aquecer o calor da alma, branco feito uma pluma.
O tempo passa, chega a tarde, e agora? O que teremos para o almoço? Quem sabe, talvez, um belo prato árabe, com todas aquelas pastas, diversos sabores...

Cá estou eu, sem saber se bebo meu café, se rezo por mais um gole de leite, pois há dias já não o vejo em meu café da manhã, ou se apenas me concentro num ambiente árabe, cheio de cores, que sim, me atraem bastante.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Dos encontros aos desencontros




Uma vez escrevi um texto sobre laços e conexões afetivas, refletindo bastante sobre isso e ainda mais, tentando passar para as pessoas a minha simples opinião. Mas o que vem realmente ao caso, ou quem sabe acaso, é que as vezes, mediante a algumas situações muito peculiares, daquelas que fazem você dar uma pane mental, física e psicológica muito intensa, procuro agora compreender de uma forma que me falta palavras para explicar, essas conexões no qual estamos a todo momento construindo. Construindo muitas vezes, como se usássemos tijolos invisíveis, podendo não enxergar a existência delas, mas sim, senti-las. 
Hoje comecei a ver alguns tijolos, vi suas cores, seus odores, suas formas, e acho que compreendi melhor de como nossas conexões podem ser estabelecidas de uma forma que nunca pensei antes, que nunca entendi antes, que nunca enxerguei antes.
Será possível em pouquíssimos dias, estabelecer conexões antes invisíveis aos nossos "olhos", de uma maneira tão rápida? Será loucura de nossos ingênuos corações? Será que é nada mais que um descontrole/desequilíbrio das emoções? Confesso não saber muitas das respostas que pretendia ter, mas depois de hoje, levo um motivo a mais, um incentivo a mais, de crer que conexões podem ser estabelecidas muito rapidamente, cabendo só a nós, querer enxergá-las ou mante-las invisíveis.
Vou ao seu encontro através de rápidos olhares, escondidinho, sem saber que perceba e logo após vou ao seu desencontro. Alguns longos minutos se passam, quem sabe 40 ou 60 minutos, volto para aquela massa de pessoas, de sotaques engraçados, em companhia dos amigos, quando derrepente, vou novamente de encontro com sua imagem, ainda mais assustado que a primeira vez, sem saber se ficava ali quietinho, ou se dizia um "oi" qualquer. Ainda abismado, observo sua locomoção e marco um ponto fixo de onde a tão prazerosa pequetita se encontrava. Não por querer vigiá-la, por querer saber se outras bocas poderiam já ter ido ao seu encontro, mas sim por ficar tão impressionado de ir ao seu encontro novamente.
Dou alguns passos, e ainda em duvida e bem acanhado, vou ao seu encontro em corpo e alma, derrepente, um susto! Suas feições não negavam aquele ar de preocupação, como se ela falasse sem usar os lábios, “Putz! Você por aqui? Como assim você ta aqui?” e depois de uma breve prosa, percebo uma indecisão, alguns beijos negados cá, outros lá, e mesmo assim o desespero não me invade, como da primeira vez que a beijei invadiu.
Ela fala sobre seu novo corte de cabelo, que claro, eu mesmo nas minhas qualidades jornalísticas de observação, passo batido, como sempre passei em casa com minha queridíssima mãe. E por mais que eu havia enxergado um ar de descontentamento por passar batido, achei aquilo de uma fofura sem igual, logo me explico que os cabelos sempre foram meus inimigos no campo da observação.
Era inegável, que ela também tinha sentido, quem sabe compreendido também, um pouco mais de como conexões podem ser estabelecidas entre pessoas, e muitas vezes, como elas estão condicionadas a se encontrar sem mesmo saber disso, e digo a vocês, que depois de hoje, isso vem martelando na minha cabeça desde o primeiro encontro com sua imagem, naquele ambiente de desordem, até esse exato momento.
As preocupações e indecisões se dissipam, ela deita em meu ombro, um silêncio breve e complacente invade o ambiente e logo nossos olhares já se conectavam, entrelaçavam, automaticamente nos beijamos e o que fica é a vontade de saber qual será o novo dia de amanhã. 

13/06/2014

Só queria pensar que o amanha ainda pode ser o dia de amanha, e não ontem... 

domingo, 15 de junho de 2014

Dos Favoritos

Baile eremítico

Ficamos dançando, eu e você. De um lado pro outro; para o bem e para o mal.
Flertam umas com as outras as nossas palavras, nossos textos, na sincronia exata como os guatemalenses em um ritual esperando pelo sangue jorrar.
Dançam os nossos dedos nas costas nuas,ah, só em sonho, só em sonho.  E nossos sonhos dançavam a nossa esperança. E dançam um foxtrot as dúvidas aflitas, tantas visões ardidas.
Mas toca no salão a balada do amor inabálavel, embalando o jogo entre nossos desejos e deletérios; dois lobos se estranhando na clareira circular. Faz-se valer essa ordem torta de ataque-e-defesa, vai ou não vai, chove e deixa escorrer nas janelas dos olhos. Ficamos assim nós, sem saber cada um o quê, nesse baile eremítico dos nossos brios perdidos nos embaraços e labirintos do desejo. Que arde, e eu sei.

N.

sábado, 7 de junho de 2014

Pequetita



Tão pequetita, nos seus moldes e formas muito agradáveis aos meus olhos. Como se olhar pra ela fosse massagear as vistas exalando uma fofura sem igual, semelhante a um botão que está prestes a florir, com abelhas já atentas para colher aquele polem e fabricar o mais puro mel.
Ela nos seus parâmetros, naquela estatura baixa, risonha, como um conjunto completo de fatores que faziam toda aquela fofura prevalecer sobre qualquer estância.
Me pergunto como pode, alguém vir ao mundo tão doce assim, tão cintilante, tão fofa, daquelas pessoas que você olha e enxerga um porque, uma essência, um ar gostoso de se respirar e respirar juntinho, no calor dos abraços.
Posso até estar enganado, mas prefiro acreditar nas coisas que vi, que senti, de estar só aquele pouquinho de tempo agarradinho, falante e serelepe como sempre fico quando vou de encontro com alguém que me empolga tanto a ter experiencias legais, conhecer lugares, fazer coisas diferentes. Sair da rotina chata do dia-a-dia.
Chega o fim, e o medo sobressai, invade todo o ambiente interior de saber se só fui feliz aquele mucadinho de tempo, ou se ainda dá pra ser feliz mais vezes. Porque ir ao seu encontro parece ser sempre mais uma oportunidade de ser feliz. Nem que seja por alguns breves minutinhos.  

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Um dia de ressaca




E cá estou eu, que navegava em águas turvas, turbulentas, e num piscar de olhos tudo parece se acalmar.
Não escuto mais o sopro do vento forte, agudo, tinindo em meus ouvidos. Já não sinto os estalos da madeira a cada onda que vinha ao meu encontro. Já não me preocupo com meu corpo molhado por aquela chuva salgada que resvalava por cima do barco.
Agora o dia parece amanhecer. Calmo, quieto, retraído, sem ter muita graça. Um dia como aqueles perfeitos para pescar. De sorte, de prosperidade, de realizações mas, que no seu decorrer, o pescador parece passar despercebido do quão seu dia poderia ser deslumbrante. Um dia de fartura de peixes dos mais variados sabores, que você, pescador tolo, resolveu não dar atenção. E agora não lhe resta saborear se quer uma sarda, enquanto tinha todo o ambiente de um robalo. Robusto, carnudo, que estava lá nadando de um lado pro outro numa tentativa louca de ser fisgado por seu anzol. Você erra, atira sua linha em outra direção vendo seu robalo nadar pra longe cabisbaixo, desapontado por não obter aquela tão desejada fisgada.