segunda-feira, 26 de maio de 2014
Um dia de ressaca
E cá estou eu, que navegava em águas turvas, turbulentas, e num piscar de olhos tudo parece se acalmar.
Não escuto mais o sopro do vento forte, agudo, tinindo em meus ouvidos. Já não sinto os estalos da madeira a cada onda que vinha ao meu encontro. Já não me preocupo com meu corpo molhado por aquela chuva salgada que resvalava por cima do barco.
Agora o dia parece amanhecer. Calmo, quieto, retraído, sem ter muita graça. Um dia como aqueles perfeitos para pescar. De sorte, de prosperidade, de realizações mas, que no seu decorrer, o pescador parece passar despercebido do quão seu dia poderia ser deslumbrante. Um dia de fartura de peixes dos mais variados sabores, que você, pescador tolo, resolveu não dar atenção. E agora não lhe resta saborear se quer uma sarda, enquanto tinha todo o ambiente de um robalo. Robusto, carnudo, que estava lá nadando de um lado pro outro numa tentativa louca de ser fisgado por seu anzol. Você erra, atira sua linha em outra direção vendo seu robalo nadar pra longe cabisbaixo, desapontado por não obter aquela tão desejada fisgada.
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